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Estou fazendo um relatório sobre um trabalho realizado nos últimos seis meses. Participaram dele 24 instituições que atendem crianças e jovens carentes. Meu trabalho é ensinar ao educadores que trabalham com esses jovens, como organizar espaços e tirar o melhor proveito dos seus precários recursos.
Para esse relatório final, me foi enviada uma avaliação do meu trabalho, realizada pelos participantes do curso.
E de repente, me pego emocionada... Entre páginas e páginas de blá, blá, blá, encontro a essência do ato de Educar! Sim, porque educar não é só informar, mas também formar pessoas. E nas entrelinhas hoje, encontrei pessoas modificadas pelas informações que passei.
Eu tenho uma regra básica para minhas palestras. Deixo bem claro na primeira aula: "O que eu digo, não se repete, não se escreve e se alguém disser que fui eu quem falou, eu desminto..." Essa regra, por si, já me tornaria uma palestrante totalmente inútil, se não fosse a mensagem subliminar dessa frase. Vejamos:
"O que eu digo não se repete". Como educadora, não quero ninguém praticando a milenar arte da DECOREBA, que faz as pessoas repetirem o que ouvem até decorarem e não aprenderem nada.
"Nâo se escreve..." O que nos é significativo não precisa ser escrito, é incorporado naturalmente a você e se torna inesquecível, pois te modifica para sempre.
"... e se alguém disser que fui eu quem falou, eu desminto..." Nâo quero um bando de papagaios, repetindo o que ouviram. Quero alunos que refletem, que pensam, interagem com as informações e formam suas próprias opiniões. Não quero ouví-los dizer o que eu falei, mas quero saber o que fazem com o que lhes falei.
E hoje, na difícil tarefa ser avaliada, encontrei pessoas que cresceram. Que analisam fatos e que aprenderam. Sinto esse conhecimento que passei durante esses meses, embutido dentro delas. E por isso fico feliz, ao ver algumas pessoas repetirem frases que eu disse, não como DECOREBA, mas como uma nova maneira de ver a vida.
É nessas horas que tenho a sensação, de minha existência ter feito, alguma diferença para alguém.
Hoje acordei com essa história na cabeça... Era minha avó que contava.
"Minha avó sempre dizia que não era para ela se casar com meu avô, pois ela era apaixonada por uma outra pessoa. Um dia ela marcou um encontro com essa pessoa, mas eles se desencontraram. Minha avó entendeu isso como um sinal e resolveu, como dizemos hoje, "cair fora".
Daí ela começou a olhar com outros olhos para meu avô, que já frequentava sua casa e ela achava que era por causa de sua irmã mais velha. Naquele tempo, havia essa mania das mulheres se casarem por ordem cronológica: Primeiro as mais velhas. Minha avó não era a primeira da lista, mas foi por quem meu avô se apaixonou. Minha bisavó, como era uma mulher de visão resolveu quebrar a regra e deixou a filha mais nova se casar antes da mais velha.
Até aí minha avó não era apaixonada por meu avô. Dizia ela...
Na época era comum e necessário se oferecer um anel de noivado. Meu avô muito pobre, não tinha dinheiro para comprar um, então ele combinou com minha avó, que iria dar um anel falso, uma bijouteria, só para não "ficar feio". Minha avó aceitou e assim, no dia do noivado ele apareceu com um anel imitação de rubi.
Fico pensando que ela ao olhar para o anel, imaginava que o rubi era tão falso quanto seus sentimentos naquele momento... Mas mesmo assim ela pegou o anel, pois sua intuição era forte e dizia que era o mais sensato a fazer.
Esse anel ficou muitos anos no seu dedo. Eles já estavam casados, quanto um dia meu avô apareceu com um anel de rubi verdadeiro para substituir o falso... Minha avó olhou paro o anel e teve a certeza que era a hora certa de colocá-lo no dedo, pois seu amor por meu avô também já era verdadeiro.
Eles viveram muitos anos juntos e seu amor foi sempre exemplo para muita gente. Quando minha avó morreu, meu avô olhou pra mim, com os olhos cheios de lágrimas e disse que ela foi a única mulher que ele amou."
Muitas vezes eu penso no anel de rubi. Que me foi dado, pelas mãos de minha avó. Ela me dizia que um grande amor tem que trazer um anel de rubi no bolso. Ás vezes você pode olhar para o anel e ver que ele não é o que você gostaria de ter. Mas milagres acontecem! Alguns desses anéis podem virar jóias verdadeiras...
Cheguei a conclusão que estamos em PAUSE. Não só eu, como o Brasil e a maioria das pessoas que conheço. Ninguém vende, ninguém compra, ninguém produz, ninguém ganha dinheiro. O Brasil em ano de Copa do Mundo e de Eleições, também não anda, nem pra frente, nem pra trás, muito menos pros lados.
E nós tal qual a economia e o Brasil: Estamos em PAUSE. Será uma moléstia dos tempos???
Estar em PAUSE, pode ter vários significados... Lí um livro chamado " É no lento que a vida acontece." Como nunca fui lenta, muito pelo contrário, comprei o livro e li direitinho, certa que era minha aceleração, que não permitia as coisas acontecerem. Devo confessar, que o autor não conseguiu me convencer que alguma coisa acontece no lento. Nem quando ele diz: “Perca tempo!” Como algo saudável e produtivo... Mas enfim, se corri demais, talvez tenha ultrapassado algo e agora o negócio é sentar e esperar o retardatário me alcançar. Esse é um dos lados da PAUSE.
Outro lado é ficar sentado esperando as coisas passarem e aí sim, quando algo bom vier ao seu encontro, levantar e continuar a jornada. Conheço pessoas assim: Devem estar em PAUSE a tanto tempo que o PAUSE já virou STOP. Pensando bem, o STOP tem até um lado positivo, se pensarmos em mudar de canal, trocar o DVD...Ou seja, virar a mesa.
Também PAUSE pode significar marasmo. Como a música do Chico "todo dia ela faz tudo sempre igual". Apesar de se ter uma vida agitadíssima e nenhuma rotina, a rotina pode estar dentro da gente... na nossa forma de pensar, de agir, de encarar o dia a dia.
PAUSE também pode significar, estar numa encruzilhada. Hora de decidir se vai pra esquerda ou pra direita.Na dúvida, ficamos em PAUSE
Ou PAUSE pode ser simplesmente uma preguiça enorme de voltar a caminhar. Diz a música “um campeão se mostra na derrota, na força pra lutar quando já cansou”. Talvez PAUSE seja a derrota do campeão, que está dando uma paradinha antes de continuar a luta.
PAUSE também pode ser expectativa. Aguardando que algo aconteça (de preferência bom) que te dê estímulo para apertar o PLAY. Para os solitários um novo amor, para os endividados um bilhete premiado, para os empresários um bom negócio... Enfim, cada um sabe onde lhe aperta o PLAY....
O que temo não é a PAUSE, nem o STOP. Mas o EJECT... Se essa PAUSE coletiva de desânimo, marasmo e falta de perspectiva, não acabar. Apesar de todo otimismo que envolve os brasileiros, estaremos todos prontos para um EJECT. Leia-se, entregar os pontos, render-se a crise, mandar tudo se danar...
Portanto, nesses tempos difíceis, talvez o mais saudável seja mesmo continuar em PAUSE e esperar os bons ventos voltarem a soprar. Daí a gente aperta o PLAY e volta pra dança.
A relação entre as pessoas e o tempo, tem sido ao mesmo tempo, de amor e de ódio. Da mesma maneira que o tempo cura várias feridas, ele também traz angústia, para quem espera ansiosamente o tempo passar.
Não é por acaso que a figura da morte, é muitas vezes representada como um esqueleto com uma foice numa das mãos e uma ampulheta na outra. A ampulheta simboliza o tempo, ou o quanto que a vida é transitória. O que torna o tempo tão implacável quanto a foice.
Em época de crise nos relacionamentos, o tempo acaba sendo necessário em alguns momentos, em todas as relações: Quando amigos não se entendem mais, quando familiares brigam, quando amantes sentem insegurança... O tempo é indicado como melhor remédio. Porque?
Porque há sentimentos que são impossíveis de serem explicados em palavras, pelo menos naquele momento. Porque a raiva momentânea é a pior conselheira. Porque evita atos precipitados, que geram arrependimentos mais tarde. Porque o tempo faz as pessoas terem saudades, ou não, uma das outras. Ou porque as pessoas conseguem apaziguar os corações e enxergar as coisas com mais clareza: O tempo faz as pessoas pensarem no que realmente querem .
Por isso o tempo também ensina. Pode ensinar que não vale a pena insistir naquela briga. Pode ensinar que aquela é a pessoa certa para você. O tempo ensina você a fazer uma análise interior e descobrir onde errou. Ensina a humildade de quem quer voltar atrás e recuperar o que perdeu. Ensina as pessoas, a serem mais condescendentes com os outros.
O tempo também assusta, pois traz um vazio enorme chamado: perda. Apesar de não ser uma perda ainda, porque é apenas “um tempo”... Mas a idéia da perda se torna insuportável. Ás vezes as pessoas precisam experimentar esse sentimento para valorizarem o que perderam, ou o que não querem perder.
E o que se faz durante o tempo? Alguns tempos são de vazio e inércia, onde ficamos parados esperando os acontecimentos. Outras vezes, um tempo pode significar uma pausa na relação, onde cada um dos parceiros vai se relacionar com outras pessoas, para chegar a conclusão que a pessoa certa é aquela mesma e voltar correndo para reconquista-la. Alguns tempos são usados para se derramar muitas lágrimas, enquanto se espera o tempo passar. Outros tempos são usados para você mudar sua rotina, se aventurar por outras áreas, para preencher o seu tempo. E daí você vai ver a pessoa enfiada em academia, praticando esportes, fazendo cursos diversos, cuidando de jardim, comprando coisas inúteis, comendo quilos de chocolate...
E existe finalmente o tempo do adeus... Onde temos que aceitar, que infelizmente o tempo certo passou. A vida mudou, as coisas mudaram, as pessoas mudaram e não estão mais na mesma sincronia. Com certeza haverá lágrimas, e você vai precisar de um tempo novamente para se recuperar...Mas, a vida é assim e a única alternativa é esperar pelos novos tempos, que com certeza aparecerão no seu caminho.